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A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO PARA AS MULHERES



Silvia Anspach
Silvia Simone Anspach

A comunicação é fundamental para qualquer pessoa, independente de sexo. Filhos de Babel que somos, nós, seres humanos, temos de trabalhar engenhosamente a maneira de estabelecermos elos uns com os outros, superar diferenças, construir pontes invisíveis, evitar conflitos, apaziguar ânimos acirrados, criar. São tantas as funções da comunicação, que seria impossível esgotá-las completamente.

Por que, então, falar especificamente da comunicação “feminina”, se a comunicação é patrimônio e dever de todos? Acontece que o cérebro, a vida psíquica, a formação histórica e a sensibilidade de homens e mulheres é distinta.  Muito se fala sobre o comando de um ou de outro hemisfério cerebral para cada sexo bem como sobre a influência da diferente carga hormonal recebida e carregada respectivamente por homens e mulheres. Não vou repetir o que já foi sustentado neste tipo de discussão.

Focalizarei brevemente aqui uma questão, levantada por C. G. Jung, grande psiquiatra suíço, para quem homens levam em sua carga psicogenética uma minoria de genes femininos, que são responsáveis pela presença de um arquétipo feminino em sua psique – ao qual se denomina anima. Inversamente, nas mulheres, habita um arquétipo masculino, chamado animus. Traduzindo-se “em miúdos”, o homem tem, dentro de sua psique, um elemento inconsciente feminino; e a mulher leva em si, um aspecto também inconsciente masculino. Simplificando ainda mais: Somos todos (e todas) masculinos e femininos ao mesmo tempo. Cabe a nós desenvolvermos e conhecermos nossa contraparte psíquica inconsciente, para bem a trabalharmos e harmonizarmo-nos com nós mesmos.

Muitos conflitos entre homens e mulheres se dão pelo fato de que nos interiormente pouco e mal. Nós, mulheres, quando nos relacionamos com os homens, temos que ter consciência de que, num plano inconsciente, nosso lado masculino está se comunicando com o lado feminino dos nossos interlocutores e vice-versa. E, quando a relação entre nosso animus com a anima deles entram em contato, tal relação poderá ser conflituosa, fugindo ao nosso controle, sem que nos demos conta do que se passa.

Num universo como o atual, onde mulheres passam a ocupar posições masculinas e transitar por campos profissionais nos quais a interação com o sexo oposto se dá num terreno que era tradicionalmente ocupado por homens, a autoconsciência e o autoconhecimento são elementos fundamentais, para que a comunicação flua livre, sem entraves nem problemas.

Conhecer nosso lado masculino e integrá-lo à nossa personalidade é absolutamente necessário. Porém, não significa que devamos abandonar nossa feminilidade para isso. Somos predominantemente mulheres, geneticamente XX e não XY. Nossa feminilidade nos permite enxergar com mais profundidade e sensibilidade, estabelecer relações complexas, conciliar e acolher. E, enquanto os homens são mais objetivos e têm maior senso de direção e orientação, somos capazes de realizar e pensar inúmeras coisas simultaneamente. Aliás, tendemos a irritar os homens por isso mesmo: Por sermos “criaturas multitarefa”.

Conhecer nosso animus não significa deixarmos que nosso lado masculino prevaleça e nos invada, num desequilíbrio nocivo a nossa saúde psíquica e social. Seríamos, neste caso, caricaturas de homens em vez de sermos quem somos. Isso me faz lembrar de um filme americano (o título me foge à memória...) a que assisti há algum tempo, em que uma mulher se candidatava à presidência dos EUA. Ela consegue seu intuito. Mas para tanto, toma atitudes friamente e sem doçura ou ternura, pratica corrida diariamente com a força física de um homem e, numa das cenas finais, aparece fumando um charuto ao lado de um amigo.

Não é a isso que a comunicação feminina deve almejar. Não temos de ser caricaturas de ninguém, para competirmos em território masculino. Aliás, não se trata de competir, e sim de contribuir, de colaborar e de somar. Com autoconhecimento, sim. Mas nunca com autonegligência. E autoconhecimento implica também conhecimento do outro. A comunicação que é autoconhecimento estabelece laços, mas não nós. Não passa por cima de ninguém. Nela, anima e animus se tornam aliados e não inimigos, gerando harmonia e superando tensões.

 

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