[Fechar]



[Fechar]



[Fechar]



[Fechar]



[Fechar]

O Trabalho e o Sentido da Existência



Silvia Anspach
Sílvia Simone Anspach

Quem de nós, mulheres de hoje, não é prisioneira de uma agenda lotada de compromissos inadiáveis?

Nossa vida é um conjunto de ações contínuas e desenfreadas. Corremos o tempo todo e vivemos exaustas. Somos seres-multitarefa, e exige-se que sejamos ativas e proativas. A questão é: Por que e para que fazemos tudo o que fazemos? Em que direção caminhamos? Qual o sentido de nossa atividade laboral? Qual o sentido de nossa vida?

O grande pensador Martin Buber já nos alertava para os riscos de nos deixarmos levar por um “fazer desenfreado”, desvinculado do “poder da ideia”. Apontando para uma direção semelhante, se envereda Viktor Frankl, psiquiatra que desenvolveu uma linha terapêutica que se pauta pela busca de Sentido (Sentido com letra maiúscula, por referir-se ao significado incondicionado de toda a nossa existência). Frankl afirmava que somos a um só tempo dois entes: o homo sapiens e o homo patiens. Enquanto o primeiro destes entes busca o sucesso (em oposição ao fracasso), o segundo pauta ações e propósitos sobre a busca do Sentido da vida (não se deixando tomar por uma vacuidade existencial).

Como hoje buscamos a ação e o sucesso a qualquer custo, nós nos esquecemos do Sentido. O resultado é um profundo vazio. Sintomaticamente, a doença de nosso tempo é a depressão. E a depressão implica uma inação, em resposta à ação desenfreada e sem direcionamento ou razão de ser. Em outras palavras, o fazer sem o Sentido de que nos fala Frankl, a busca do sucesso e produtividade a qualquer preço no trabalho, na carreira, na profissão são uma questão de saúde individual e pública.

Quando as empresas não buscam uma humanização de suas agendas e das relações no trabalho, proliferam as doenças ocupacionais e, portanto, a produtividade cai. Ou seja, o enfoque atual não é apenas desumano, mas também irracional e ineficiente: Paradoxalmente, busca-se maior produtividade; porém, contribui-se para uma redução dramática desta!

É fundamental que as empresas encarem este problema e busquem estratégias que revertam este quadro. Estarão certamente contribuindo para a sanidade de seus trabalhadores. E ao fazê-lo, estarão beneficiando a si mesmas, gerando um padrão mais alto de eficácia, e uma produtividade mais segura, efetiva e humanizadora.

 

Retornar Artigos

 
Design by Immaginare
/* Track outbound links in Google Analytics */