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Mulheres Sós e o Mundo dos Negócios



Silvia Anspach
Sílvia Simone Anspach

Pode parecer um tema batido, no entanto, além de inesgotável, ele gera situações recorrentes de natureza injusta e ultrajante. Assim sendo, merece ser revisitado sempre a partir de perspectivas diversas. Refiro-me aqui à situação das mulheres que não têm um companheiro, num mundo tradicionalmente masculino: o mundo dos negócios.

Mesmo sem querer resvalar em fórmulas desgastadas, é impossível não aludir às inúmeras situações de constrangimento a que mulheres estão sujeitas em tal mundo, sobretudo num país ainda predominantemente machista como o nosso. A mais óbvia é o assédio sexual e moral, que se tinge de várias formas, desde as mais rasteiras e abertamente agressivas até as mais veladas, contra as quais qualquer defesa parece ainda mais difícil, uma vez que, concretamente, nada aparece como explicitamente ofensivo ou ameaçador.

Focalizo aqui hoje uma situação correlata, digna de denúncia e repúdio: A mulher que não tenha um companheiro pode ser segregada de eventos sociais relacionados ao seu trabalho, muitas vezes precisamente por ação de outras mulheres, ou seja, daquelas que partilham de sua condição e que deveriam se solidarizar a ela. Mulheres casadas podem excluí-la, por temerem concorrência. “Fofocas” podem levar a ilações que delineiam a profissional que não tenha um companheiro como destruidora de lares e de casais, prejulgando-a como necessariamente culpada por qualquer eventual ameaça (real ou imaginária). Nestes casos, à mulher – que herda mítica e atavicamente a imagem de Eva, sedutora e indutora do pecado – resta o ostracismo, a infâmia, a exclusão sem justificativa e sem oportunidade de defesa.

Há muitas formas de se opor a esta situação inaceitável e de tentar demoli-la. Uma delas, por exemplo, é expô-la em artigos como este. Outra, é a vítima se pronunciar abertamente sobre o assunto, respondendo à injúria expressa ou disfarçada, com seu mérito profissional e honestidade pessoal (ou, em casos extremos, com processos por injúria, calúnia, difamação, dano moral). A mais necessária, porém, é a união entre mulheres. Por meio da força psicossocial do gênero a que pertencem – força esta que se comprova através dos tempos – pode-se desmontar esta farsa mutiladora de talentos, dignidades e vidas.

 

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