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Homens, Mulheres e uma Reunião de Negócios



Gladis Costa

A boa comunicação no ambiente de trabalho agrega valor, humaniza os negócios, afinal pessoas compram de pessoas!


Homens e mulheres são mesmo de planetas diferentes. Pensam e funcionam de forma diferente – diferenças que podem ser vistas claramente durante uma reunião de negócios, por exemplo.

Há muitos anos, eu e um gerente, pouco informal, participamos de uma reunião com uma executiva com quem já havia trabalhado no passado. Antes da reunião efetivamente começar, perguntei a ela como estavam as coisas, se ainda morava no mesmo lugar, como estavam as crianças, enfim, o básico, mas um pouco mais personalizado, porque eu a conhecia de fato, as perguntas não eram mera retórica, portanto.

Pesquisas dizem que falamos 20.000 palavras por dia, enquanto nossos amigos falam por volta de 7.000, ou seja, falamos três vezes mais. Como fica isso no ambiente de trabalho? Como fazer as coisas funcionarem com diferenças tão grandes no quesito comunicação? Acontece que quando um homem pergunta a um colega como ele está, a resposta não vai fugir muito do: “Beleza, cara, e você?” Simples assim. Se cumprimentam, apertam as mãos, dão um abraço meio desajeitado e pronto. Assunto resolvido. Próximo tópico!

Mulheres quando fazem a mesma pergunta podem obter respostas mais detalhadas e ilustradas: envolvem família, filhos, trabalho, trânsito, chuva, aquela viagem. Perguntamos porque estamos interessadas mesmo, os updates são inevitáveis, mas entendemos que isto faz parte do negócio. E a recíproca é verdadeira: se nos perguntam, vamos responder, oras!

Além do mais, as empresas investem grandes valores em eventos visando o “marketing de relacionamento”, justamente para criar um rapport, umlink com o cliente, encontros nos quais se cria um clima de informalidade e networking que impactam positivamente na realização de parcerias e na evolução dos negócios. Networking faz bem! O mundo é uma grande atividade de relacionamento, vide LinkedIn!

Pois ali estava eu com esta pessoa fazendo as atualizações ;básicas, após tantos anos sem contato – e, caramba, tanta coisa muda – é muito assunto, claro! Para mim, era apenas uma social básica, inocente e necessária, estreitando os laços, sabe, tipo um warm up, ice-breaker, algo assim. E tem a história de falar três vezes mais. Faz parte!

Ao voltarmos para o escritório, meu chefe perguntou na hora: “O que foi aquilo?” “Desculpe, senhor?”, respondi candidamente. “Vocês falam muito, meu Deus!”, ele respondeu. Para ele, entrar, participar da reunião e sair, sem bate-papo, teria o mesmo efeito, só que mais rápido. Eu discordo! Se temos algum tempo, por que não conversar?

Por que não entender o que está acontecendo com o outro? Por que não humanizar o ambiente tão frio e impessoal do mundo dos negócios? Ele achou meio desnecessária aquela sessão de flashback! Foi isso. Nós amamos, foi ótimo! Colocamos o repertório em ação.

O assunto morreu, até que alguns dias depois, recebemos uma ligação da empresa solicitando uma segunda reunião. “Perfeito, fizemos um bom trabalho!”, meu chefe disse. “Fizemos mesmo!”, respondi. Saí da sala com um sorriso vencedor colado na cara. Ok, isto era apenas o começo, houve muio trabalho interno, muita reunião regada a cafezinhos, pizzas e refrigerantes, mas gosto de pensar que aquela conversa ajudou um pouquinho no resultado, que fez diferença.

Pessoas compram de pessoas, não é verdade? O que acham?

Gladis Costa
Profissional da área de Comunicação e Marketing, com vivência em empresas globais de TI

Maio/2017

 

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