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Carreira na ciência aberta às mulheres



Ana Karoline Silva
A estudante Ana Karoline Silva, 16 anos, investiga bactérias a partir de extrações de DNA
Foto: Alfeu Tavares

Vinte e quatro anos atrás, a pesquisadora Giovanna Machado se formava em química na PUC do Rio Grande do Sul. Em 1990, poucos anos antes da graduação de Giovanna, o mundo da ciência era majoritariamente masculino. Dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) da década de 1990 mostravam que apenas 18,5% das bolsas concedidas aos principais pesquisadores do País eram destinadas a elas.

Atualmente, apenas 10,97% das mulheres que fizeram mestrado em 2016 optaram pelas áreas de engenharia, ciências exatas e da terra. Depois de mestrado, doutorado e pós-doutorado - este último no renomado Massachusetts Institute of Technology (MIT) -, Giovanna luta para conquistar as cabeças de jovens de escolas públicas da Região Metropolitana do Recife e do Interior de Pernambuco.

A pesquisadora idealizou e coordena o programa Futuras Cientistas, no Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife. O nome já adianta o que o edital confirma: só são aceitas meninas do ensino médio e professoras. Todas mulheres, todas da rede pública. Sem vagas para meninos, que historicamente sempre tiveram mais espaço na ciência.

É a equidade de gênero na prática, termo que significa que mulheres e homens são tratados de forma justa, de acordo com as respectivas necessidades. Segundo a publicação Princípios de Empoderamento das Mulheres, da ONU, equidade não é somente sobre igualar direitos, mas deixá-los equivalentes entre gêneros.

“A ideia do projeto surgiu exatamente para aumentar o número de mulheres interessadas na ciência, que é tão pequeno hoje. Pensei nisso após uma viagem que fiz com outras cientistas para verificar que ações políticas estavam sendo realizadas fora do País para aumentar a participação das mulheres na ciência e tecnologia. Quando voltei, pensei que seria bom transformar esse conhecimento em algo prático. Algumas alunas diziam que nunca tinham se imaginado em um laboratório. A maioria quer fazer humanas e aqui elas acabam conhecendo exatas e ciências. Percebi que é a falta de conhecimento de que esse meio está no alcance delas”, contou Giovanna, que trabalha há oito anos no Cetene.


Transformar meninas em cientistas

Este ano foram 12 estudantes entre 15 e 18 anos e três professoras. Cada uma ganha uma bolsa de incentivo de R$ 400. O Cetene oferece aulas com especialistas em laboratórios de microscopia eletrônica, nanotecnologia, biotecnologia, biofábrica e circuitos integrados, que podem ser escolhidos na inscrição. É um mês de aula, inspirado nos projetos de verão norte-americanos, com apresentação de um trabalho de conclusão ao final do curso. Na última semana, quatro estudantes do MIT ofereceram work-shops para o grupo. “Hoje estamos na terceira edição do projeto, com um orçamento pequeno de US$ 2 mil do Consulado dos Estados Unidos, parceiro do projeto. Fizemos um piloto em 2012 com apenas R$ 2 mil, mas tivemos que parar por quatro anos por falta de dinheiro”, relata a pesquisadora.

Amanda Nascimento, 17 anos, vai começar o 3º ano do ensino médio na Escola de Referência de Beberibe, Zona Norte do Recife, com a experiência de transformar luz solar em hidrogênio. “Infelizmente ainda hoje há muita discriminação. As pessoas dizem que mulher não pode isso ou aquilo. Esse projeto também é para dar força. Mulher pode, sim, tanto quanto o homem pode. Giovanna bate muito nessa tecla”, afirma a estudante. Já Ana Karoline Silva, 16, da escola Poeta Manoel Bandeira, na área central do Recife, investiga as bactérias que causam doenças na cana-de-açúcar depois de fazer extrações do DNA da planta. “Eu não tinha ideia nenhuma do que fazer no vestibular, mas agora estou pensando em seguir carreira nisso, mais voltada à ciência da saúde”, conta Ana.

Fonte: Moema França, Folha de Pernambuco



Janeiro/2017

 

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