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Por que conciliar filhos e carreira é trabalho só das mães?



Por que conciliar filhos e carreira é trabalho só das mães?

Não adianta as coisas mudarem no mercado de trabalho, se elas não começarem a se transformar também dentro de casa

Muita gente me pergunta "mas por que falar de mães no mercado de trabalho? Não deveríamos falar de mães e pais?" Eu concordo, embora nunca tenha visto um pai em conflito porque a licença ia terminar. Via de regra, o sofrimento é porque a mãe da criança pede para ele tentar chegar cedo no fim de tarde para que ela possa tomar um banho decente ou comer sem ser interrompida por um choro ou uma fralda de cocô.

Também nunca vi um homem sofrendo preconceito dentro da empresa por causa do nascimento do filho. Além do tradicional ‘tapinha nas costas’, o pai costuma ganhar até um certo status. Se ele sai no horário certo pra buscar o filho na creche ou escolinha, ele é um exemplo. Se a mulher sai, ela ‘não está comprometida com o trabalho’ depois que virou mãe.

Raramente vejo pais fazendo manobras nas reuniões com os clientes pra encaixar o compromisso com o médico da criança na agenda ou correndo do trabalho pra cuidar do filho com febre. Geralmente é a mãe que se desdobra em mil até a criança se recuperar.
Infelizmente, graças a desigualdade em todas as instâncias, a sociedade ainda vê a mulher como a única responsável pela criança. Isso quer dizer: se a criança está bem, não é nada mais que nossa obrigação. Se algo acontece com o filho, a culpa sempre recai na mãe.

Ainda é pouco comum ver o pai tomar a dianteira da coisa. Das duas, uma: ou a mulher puxa ele pelo cabelo implorando ajuda, ou se vira nos trinta pra dar conta de casa, trabalho e filhos – não necessariamente nessa ordem. Esse assunto dá pano pra manga. Quanto mais a gente cava, mais camadas aparecem.

Por isso, a pergunta: será que adianta as coisas mudarem no mercado de trabalho se elas não começarem a mudar dentro de casa? Será que conseguimos pautar a sociedade e, ao mesmo tempo, educar os homens para que entendam que cuidar de filhos é algo que deve ser uma preocupação de mães e pais?

Uma pequena bolha dentro do Facebook é feita de pais engajados, com discursos perfeitos. Talvez por isso, toda vez que um deles levanta a bandeira do cuidado com os filhos (que não é nada mais que a obrigação) desperte tanta atenção.

Rodrigo Hilbert pode ser um gato e cozinhar bem à beça, mas no fundo no fundo, quando a gente compartilha o discurso dele ou de outros pais que se dedicam em pé de igualdade com as mulheres, quer gritar pro mundo: ‘Vejam, é possível ser um homem cuidadoso, que trabalha, cozinha, divide o cuidado com os filhos com a mulher e ainda tem testosterona’.

Pode ter certeza: para a mãe até pode ser possível fazer a logística dar certo. Mas, por trás desse gerenciamento insano de tarefas, geralmente, tem uma mulher exausta que só consegue descansar quando cai prostrada na cama.

 

Fonte: Revista Crescer

Dezembro/2017

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